Se você me acompanha nas redes sociais, sabe que eu estava, no mínimo, apreensivo. As primeiras imagens e rumores vazados no mês passado deixaram muita gente com um pé atrás em relação ao rumo que Greta Gerwig daria para As Crônicas de Nárnia. Mas preciso admitir: bastaram poucas cenas em sequência no trailer oficial para converter a desconfiança em pura empolgação.
A Warner Bros. acaba de divulgar o cartaz e o primeiro trailer oficial de Nárnia: O Sobrinho do Mago, longa que adapta pela primeira vez para o cinema o livro de 1955 de C.S. Lewis: cronologicamente o início de tudo, narrando a origem e a criação do universo mágico. Dirigido e roteirizado por Greta Gerwig (Barbie, Adoráveis Mulheres), o filme chega aos cinemas no dia 11 de fevereiro.
Se você ainda não assistiu, confira o trailer oficial abaixo:
A produção reuniu um elenco estelar que já impressiona no papel: Meryl Streep (O Diabo Veste Prada), Daniel Craig (Entre Facas e Segredos), Carey Mulligan (Bela Vingança), Emma Mackey (Barbie) e Ciarán Hinds (Belfast). Completam a equipe David McKenna, Beatrice Campbell, Kobna Holdbrook-Smith, Denise Gough e Susan Wokoma.
A trilha sonora original fica por conta da dupla premiada Mark Ronson e Andrew Wyatt, com produção de Mark Gordon, Amy Pascal, Vincent Sieber-Smith e da própria Greta Gerwig.
Como fã inveterado da obra de C.S. Lewis e crítico de cinema, minha maior preocupação era como o tom do livro seria transposto para as telas. O resultado prévio parecia incerto, mas a execução mostrada no trailer cala a boca dos haters que já julgavam o projeto antes da hora.
As crianças (Digory e Polly) parecem ter sido tiradas diretamente das páginas do livro. A caracterização e a atuação passam aquela inocência clássica misturada à curiosidade perigosa que movimenta a trama.
Outra grande dúvida era Emma Mackey como Jadis (a Feiticeira Branca). Nos livros, Jadis é descrita como uma mulher gigantesca, descendente de uma raça antiga de Charn. Havia o receio de que ela parecesse humana demais em tela, mas o uso ostensivo e bem executado do CGI garantiu que ela transparecesse essa imponência física e presença intimidadora. Ela está literalmente gigante em cena.
Visualmente, o filme promete ser um desbunde. A transição entre os universos através do Bosque entre os Mundos e os anéis mágicos está de encher os olhos.
Mas a cena que realmente arrepia é a criação de Nárnia por Aslam. No trailer, o leão divino surge moldado por partículas que lembram mini-estrelas reluzentes, cantando a canção da criação. É de uma sensibilidade estética ímpar.
Conectar a música com a proposta do filme é uma sacada genial de Gerwig, Ronson e Wyatt. No cânone de Lewis, Aslam cria o mundo através do canto, então a escolha por uma estética com nuances de ópera-rock não é só estilística, é narrativamente coerente.
E o grande acerto do trailer foi o uso de Stairway to Heaven, do Led Zeppelin. Confesso que nunca tinha parado para notar antes, mas a letra da música dialoga perfeitamente com os temas fundamentais de Nárnia: ganância, tentação, anéis mágicos, a busca pelo paraíso e caminhos entre o divino e o profano. Ver essa trilha ritmando as cenas fantásticas amarra a proposta do filme de forma brilhante.
Nárnia: O Sobrinho do Mago provou neste primeiro vislumbre que respeita a essência do material de origem ao mesmo tempo em que imprime a assinatura autoral de Greta Gerwig. Se o filme mantiver a energia e o deslumbre visual apresentados aqui, teremos uma das maiores adaptações de fantasia dos últimos anos.
E você, o que achou do trailer? Deixe seu comentário abaixo e vamos debater!


