A franquia Resident Evil é um clássico do universo dos games, tendo uma comunidade muito bem estabelecida ao longo de mais de uma década. Nos cinemas, a marca também se tornou uma franquia com filmes em live action, animados e seriados de TV.
Em 17 de setembro, chega o longa Resident Evil, com Zach Cregger, de A Hora do Mal, na direção e roteiro em parceria com Shay Hatten. No elenco, Austin Abrams, Paul Walter Hauser, Kali Reis e Zach Cherry.
A história deste novo filme de Resident Evil é uma adaptação livre deste universo, onde acompanhamos Bryan (Austin Abrams), um entregador de medicamentos que precisa levar um pacote até o Hospital Geral de Raccoon City em uma noite fria de inverno.

O ponto mais forte deste filme é a direção de Cregger, que entrega um espetáculo cinematográfico do gênero horror. Utilizando a linguagem técnica dos games, ele entrega uma experiência imersiva, colocando o espectador na perspectiva do protagonista em primeira pessoa, e a harmonia entre este elemento e os bons jumpscares é ótima.
Outro elemento que me agradou bastante é a capacidade do diretor de prolongar a tensão o máximo, mesmo que seja possível saber que algo vai acontecer. Isso se torna interessante porque o susto demora tanto a vir que gera dúvida no espectador, mostrando o excelente domínio do cineasta sobre o gênero.
Os elementos dos jogos não se limitaram apenas a usar uma perspectiva em primeira pessoa ou encher de referências de Resident Evil em cada canto do cenário. Neste longa, vemos estes detalhes, porém o que se destaca é a jornada do personagem ser muito semelhante a uma experiência gamer, com vasculhar armários, encontrar armas, cadeados com símbolos e tudo terminar em uma instalação da Umbrella.
A atuação de Austin Abrams é boa porque faz nos importar com Bryan ao longo de sua jornada para o epicentro do caos. Ele se frustra, erra boa parte das coisas que tenta, olha para um caminho perigoso e o evita, sendo assim muito mais fácil se relacionar com o personagem. Além disso, o que torna mais interessante essa adaptação é que não se trata de um protagonista que segue os arquétipos de Leon, Jill, Chris, que são superagentes, ou como a Claire, que possui algum tipo de treinamento, mas um entregador que só tinha um último serviço e encontrou o apocalipse.

E este filme é Resident Evil?
A minha resposta é que sim, este filme é muito a cara da franquia, que nunca se limitou a uma história principal. Este longa segue a premissa de jogos como Resident Evil: Outbreak, onde se utiliza a perspectiva de pessoas comuns sobrevivendo ao terror de Raccoon City ou, se você tem o hábito de encontrar os arquivos do jogo, a jornada de outra pessoa além do personagem conhecido que encontramos no caminho.
O filme de Resident Evil obviamente não vai agradar aquele tipo de fã conservador que só considera a essência da franquia se houver uma exata cópia de uma história. Porém, esse filme entrega o que considero essencial para que adapte esse universo clássico dos games em harmonia com um excelente filme de terror.
Confira o Trailer de Resident Evil:


