Mestres do Universo chega aos cinemas em 4 de junho com uma proposta que surpreende justamente por não tentar esconder suas origens. Em vez de buscar uma seriedade excessiva ou uma reinvenção radical da marca, o filme abraça sua identidade mais infantil e fantástica, transformando isso em uma de suas maiores qualidades. Tem coração, tem alma.
O resultado é uma aventura espacial divertida, colorida e cheia de personalidade, que alterna entre um humor ácido e momentos mais bonachões, em uma dinâmica que inevitavelmente remete ao estilo consagrado de Guardiões da Galáxia.
A direção demonstra confiança ao equilibrar ação e emoção. As sequências de combate são bem coreografadas e mantêm o espectador envolvido, mas são os momentos de transformação de Adam em He-Man que realmente roubam a cena. Cada vez que a clássica passagem acontece, o filme encontra maneiras de torná-la impactante, evocando a sensação de grandiosidade que os fãs esperam do personagem — literalmente arrepia cada transformação.

Mais interessante, porém, é a forma como a narrativa procura desconstruir e reconstruir o significado de ser um herói. O roteiro sugere que ser “homem” vai muito além de força física, músculos ou demonstrações de poder. A jornada de Adam é marcada por vulnerabilidades, dúvidas e escolhas morais, reforçando a ideia de que coragem e empatia são tão importantes quanto a tal mítica força.
E inclusive, os poderes de He-Man aparecem muito bem nesse filme. Para quem quer a tal pancadaria, ela não ficará menosprezada. Mas são igualmente potencializados os momentos em que o herói decide não usar essa força, buscando um novo caminho para essa masculinidade que será exemplo de performance para novas gerações.
Apesar de alguns momentos em que a suspensão da descrença precisa trabalhar horas extras, Mestres do Universo demonstra ter mais coração do que muitos poderiam esperar. O filme evita a sensação de mero caça-níquel corporativo e mostra um genuíno interesse em construir personagens e relações que signifiquem alguma coisa. Porém, se você realmente começar a prestar atenção nos detalhes, verá que o roteiro (a tantas mãos como é o caso deste) não tem a consistência que um épico fantasioso pediria. Passa longe disso inclusive.

Ao mesmo tempo, a produção deixa diversas pontas soltas para futuras continuações, estabelecendo as bases de um universo compartilhado inspirado nas propriedades da Mattel. Depois do sucesso de Barbie, fica claro que o estúdio pretende expandir essa estratégia com projetos como Barney e Hot Wheels já em desenvolvimento inicial, e Mestres do Universo funciona como uma peça importante nessa construção, e terá que buscar outra “fórmula” já que para um primeiro filme, buscar inspiração em “Thor: Ragnarok” funcionou, mas em uma próxima aventura talvez não.
Sem reinventar a roda, mas entendendo exatamente o que quer ser, o filme entrega uma aventura divertida, emocionante e surpreendentemente sincera. É uma obra que respeita seu legado, diverte novas gerações e sugere que ainda há muito potencial a ser explorado em Eternia.


