Tem filme que você evita por anos achando que vai ser ruim… e quando finalmente assiste, descobre que o problema não é nem esse. Uncharted entra exatamente nessa categoria.
Eu fui ver agora, nessa missão de correr atrás de adaptações de jogos que deixei passar a tempo de participar do podcast Créditos Finais sobre videogames — e já fui com aquela dúvida honesta: Isso aqui é ruim mesmo ou a galera exagerou? A resposta mais direta possível: não é ruim, mas também não vai muito além disso.
Logo no começo, o filme já entrega bem o que ele quer ser. A escolha do Tom Holland como Nathan Drake funciona mais do que muita gente gostaria de admitir — especialmente pra quem vê dublado. A voz do Wirley Contaifer casa perfeitamente, o que ajuda muito a vender o personagem. E o filme entende bem a proposta de origem. Tem todos os beats clássicos: o herói relutante, o mentor meio suspeito, o chamado pra aventura… check, check, check. Nada muito ousado, mas também nada quebrado.
O curioso é que, diferente de outras adaptações, Uncharted realmente abraça o fato de ser… um videogame. E isso funciona a favor dele. A estrutura é praticamente um jogo: resolver enigmas, escalar estruturas improváveis, atravessar obstáculos claramente pensados como fases. Em vários momentos, dá pra imaginar exatamente onde estaria o controle na sua mão. É aquela sensação de isso aqui daria um ótimo jogo! Ops, mas é! E dentro desse estilo, ele funciona bem. Chega a lembrar um Indiana Jones mais moderno, com menos peso histórico e mais foco na aventura direta.
Inclusive, em comparação com Tomb Raider com a Alicia Vikander, ele até se sai melhor justamente por não tentar ser mais do que é, mas aí vem o problema: ele não tenta ser mais do que é e isso cobra um preço. Porque, mesmo quando o filme entrega momentos que deveriam ser memoráveis — tipo uma batalha de navios piratas voando no meio do céu (sim, isso acontece e é tão absurdo quanto parece) — falta aquele tempero que transforma o exagero em algo realmente marcante. Tudo passa… e passa rápido.
Quando o filme acaba, a sensação é estranha: você não tem muito o que criticar, mas também não tem muito o que lembrar. Ele cumpre o básico com eficiência, só que para por aí. Não tem uma cena que grude, um personagem que se destaque de verdade, ou um momento que você queira revisitar. É quase automático: terminou, você já esqueceu metade. E talvez isso seja mais problemático do que ser ruim. Porque ser ruim pelo menos gera reação. Uncharted não — ele só existe, cumpre tabela e segue.
Pra fechar, ainda tem aquela clássica cena pós-créditos tentando emplacar continuação, como se fosse o começo de uma grande franquia. A intenção é clara, mas a execução não convence tanto assim. Fica aquela sensação de Eles não aprendem, né?
No fim, é um filme que acerta mais do que erra, mas que não arrisca o suficiente pra realmente se destacar.


