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Crítica | Você Só Precisa Matar

Crítica | Você Só Precisa Matar

Distribuído no Brasil pela Paris Filmes a produção é uma das novidades de fevereiro no cinema

Ricardo Santos Por Ricardo Santos
9 de fevereiro de 2026
Em Animação
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All You Need Is Kill (Você Só Precisa Matar) é uma light novel criada por Hiroshi Sakurazaka e ilustrada por Yoshitoshi Abe (Serial Experiments Lain), lançada em 2004 pela Super Dash Bunko. Dez anos depois, sua primeira adaptação foi o filme em live action No Limite do Amanhã, estrelado por Tom Cruise e Emily Blunt.

Em janeiro de 2026 ocorreu, no Japão, o lançamento de uma nova adaptação de All You Need Is Kill, agora como um filme animado criado pelo Studio 4°C, dirigido por Kenichiro Akimoto e chegando no dia 12 de fevereiro aqui no Brasil, com distribuição feita pela Paris Filmes.

A sinopse de Você Só Precisa Matar é sobre a humanidade enfrentar sua extinção num futuro próximo. Uma gigantesca flor alienígena conhecida como “Darol” irrompe sobre o Japão, libertando criaturas monstruosas que devastam tudo em seu caminho.

Em meio ao caos, Rita, uma jovem voluntária, é brutalmente morta em combate. Mas a morte não é o fim. Ao despertar, Rita se vê de volta ao início daquele mesmo dia fatídico, presa num ciclo temporal implacável. Repetidamente. Ela então conhece Keiji, outro soldado preso no mesmo paradoxo. Juntos, eles lutarão, aprenderão com cada erro e buscarão a única estratégia possível para quebrar o ciclo e salvar o futuro.

Essa adaptação não segue fielmente o seu material original, utilizando a perspectiva de Rita para o centro da narrativa, e isso colocou camadas muito interessantes em torno dos acontecimentos que são contados ao longo dos 82 minutos do filme animado.

O tom mais tenso ganha contornos muito mais pesados enquanto vamos revivendo o dia da invasão Darol ao lado da protagonista. Vamos entendendo que, bem antes disso, ela já estava vivendo um ciclo infindável muito mais trágico do que estar presa no dia da infestação alienígena.

A questão visual é interessante, apostando em um elemento muito mais psicodélico, cenários com cores saturadas e vibrantes, uma paleta de cores mais quente e um design de personagens não linear, que ganha muito destaque e beleza durante as cenas de ação, que são muito boas.

Todos os elementos visuais estão conectados de uma forma muito consciente com o roteiro, transmitindo para o espectador a sensação do desconforto de Rita ao reviver esse dia por tantas vezes, questionando as razões de ser a vítima desse acontecimento e pensando até em sua própria história de vida, buscando uma resposta sobre isso.

É muito interessante como essa história, em um panorama geral, pode ser analisada como uma metáfora para os traumas, com os dias no mundo real passando normalmente, mas no mundo interno tudo se repete de forma ininterrupta, encontrando na resiliência de desejar ver o amanhã ser possível encarar a turbulência e pedir apoio no processo ajuda a encarar os dias difíceis, como na relação da protagonista com Kenji.

O ritmo da produção é lento quando se trata do desenvolvimento da narrativa, usando os momentos de ação para evitar que a experiência se torne monótona e não indo por um caminho muito profundo para explicar o funcionamento do universo onde ocorrem os acontecimentos que levam ao enredo. Considero uma escolha muito acertada para essa produção, tanto em aspectos de ritmo quanto na escolha de uma narrativa direta, porque atualmente histórias precisam de um começo, meio e fim para que possamos aproveitá-las em sua totalidade, não precisando esperar uma sequência no futuro.

O desfecho da trama é surpreendente, dado o tom que a obra vai nos encaminhando até o terceiro ato da animação, e posso considerar que esse final foi uma excelente escolha.

All You Need Is Kill é uma animação que utiliza da sua cadência para contar uma história muito interessante, complexa e vai fazer o espectador sair da sala de cinema com uma excelente experiência.

Tags: All You Need is KillAnimaçõesfilmesFilmes AnimadosHiroshi SakurazakaNo Limite do AmanhãVocê Só Precisa Matar
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Ricardo Santos

Ricardo Santos

Fã de quadrinhos, séries, filmes, games e Doramas. Apaixonado por DC de Grant Morrison a Alan Moore. Um psicólogo que adora analisar cultura pop.

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