Com o anúncio de Dragon Ball Super: Beerus, muita coisa voltou a ser discutida entre os fãs: o que exatamente vai mudar nessa nova adaptação? A proposta deixa claro que não se trata apenas de voltar com Dragon Ball Super, mas de reconstruir o começo da série com outra mentalidade, aprendendo com os erros do anime de 2015 e se aproximando mais da versão do mangá. Dá pra antecipar bastante coisa olhando justamente para as diferenças entre o filme Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses, o Super original e o mangá lançado no mesmo período.
Pra quem tem preguiça de ler:</p>

Uma das mudanças mais simbólicas deve aparecer logo de cara: o despertar de Bills. No filme, essa cena é fundamental. Vemos o Deus da Destruição acordando após sonhar com o Deus Super Saiyajin, o que dá peso mitológico imediato à história e estabelece a motivação do personagem. Curiosamente, essa sequência não existe nem no anime de 2015 nem no mangá, que já começam com Bills em movimento. O trailer do novo anime, no entanto, indica que essa cena clássica deve retornar, o que já sinaliza que Dragon Ball Super: Beerus está bebendo diretamente da melhor versão possível dessa introdução, resgatando o impacto narrativo que o filme acertou em cheio.
Outro ponto que tudo indica que ficará no passado são os fillers e semifillers que marcaram negativamente o início do Super de 2015. Aquele episódio de aquecimento com Goten e Trunks procurando um presente de casamento para a Videl, por exemplo, fazia sentido num anime que ainda estava se encontrando, mas hoje soa totalmente deslocado. O mesmo vale para o episódio das férias do Vegeta com a família — divertido, carismático e querido pelos fãs, mas inexistente no mangá e pouco compatível com uma proposta mais direta e enxuta. Até mesmo a icônica cena do Vegeta dançando para agradar o Bills não deve retornar agora.
A própria festa de aniversário da Bulma é outro detalhe que ajuda a entender o caminho escolhido. No filme, a comemoração acontece no quintal da Corporação Cápsula. Já no anime e no mangá, o evento ocorre em um navio de luxo. Pelo que o trailer sugere, essa será a versão adotada, reforçando novamente o alinhamento com o mangá e deixando claro que o filme não é mais o principal norte criativo, e sim a versão desenhada por Toyotarou.![Dragon Ball Super [AMV] Goku vs Bills ▪ Stronger ♪♪](https://i.ytimg.com/vi/0uiYlD2piH8/maxresdefault.jpg)
As mudanças mais relevantes, porém, devem aparecer na forma como o poder é tratado, especialmente no que diz respeito ao Super Saiyajin God. Tanto no filme quanto anime de 2015, após o fim do ritual, Goku continua usando o poder divino misturado ao Super Saiyajin comum, o famoso Super Saiyajin além de Deus ou Beyond God. Essa ideia nunca existiu no mangá e sempre soou meio improvisada. O mais provável agora é vermos algo bem mais coerente: Goku aprendendo a acessar o Super Saiyajin God de forma ativa, sem depender do ritual, incorporando esse poder ao seu próprio domínio, como acontece no mangá. Isso também deve impactar diretamente a luta contra Bills, que no Super original exagerou ao ponto de criar ondas de choque capazes de destruir o universo inteiro. No mangá, o confronto é mais curto, mais técnico e muito mais focado em leitura de poder e intenção, e tudo indica que essa abordagem mais contida será a escolhida.
Outro ponto sensível envolve Trunks e Mai. No filme A Batalha dos Deuses, existe um romance entre as versões infantis dos dois, algo que foi completamente descartado no anime e no mangá. Essa decisão deve ser mantida. No anime, a primeira menção real a esse relacionamento acontece apenas no futuro, entre as versões adultas dos personagens. No presente, o máximo que vemos é a pequena Mai demonstrando encantamento pelo Trunks do Futuro, nunca pelo Trunks criança. Isso faz muito mais sentido narrativo, já que, apesar do corpo jovem, Mai é originalmente uma mulher adulta. O mangá, inclusive, reforça isso ao explicar que eles foram transformados em bebês, e mesmo sem memórias daquela época, evita qualquer dinâmica problemática no presente./uploads/conteudo/fotos/02_BMiCDBr.jpg)
Também vale esclarecer uma especulação que ganhou força recentemente: possíveis mudanças para alinhar o anime com Dragon Ball Daima. Ideias como Kaioshin e Kibito já separados, Goku usando Super Saiyajin 4 contra Bills ou Vegeta exibindo o Super Saiyajin 3 na festa da Bulma simplesmente não fazem sentido dentro dessa proposta. Nada disso existe no mangá de Dragon Ball Super, e tudo indica que o novo anime não vai incorporar essas alterações. Isso reforça cada vez mais a ideia de que Daima se passa em uma linha do tempo alternativa, sem necessidade de ajustes aqui.
No fim das contas, Dragon Ball Super: Beerus parece nascer com um objetivo bem claro: corrigir excessos, cortar gordura, respeitar mais o mangá e reconstruir a base do Super com mais consistência narrativa e estética. Resta saber quais cenas clássicas vão sobreviver a esse processo e quais vão ficar apenas na memória afetiva dos fãs. Aqui na Terra Nérdica, a discussão está só começando — e, como sempre, ela nunca acaba.


