A 68ª edição do Grammy Awards, realizada no domingo (1º), na Crypto.com Arena, em Los Angeles, entrou para a história não apenas pela consagração musical, mas também pelo tom político que marcou os discursos da noite. Em meio à maior cerimônia da música mundial, artistas transformaram o palco em espaço de resistência, criticando abertamente as políticas de imigração dos Estados Unidos e a atuação do ICE, enquanto celebravam conquistas artísticas diversas e plurais.
O grande nome da noite foi Kendrick Lamar. Maior indicado da edição, o rapper saiu consagrado como o maior vencedor, levando cinco prêmios, incluindo Gravação do Ano e Melhor Performance de Rap Melódico com Luther, parceria com SZA, além de Melhor Canção de Rap com TV Off e Melhor Álbum de Rap com GNX. Com isso, Kendrick alcançou a marca histórica de 26 gramofones, tornando-se o rapper mais premiado da história do Grammy.
Outro protagonista incontornável foi Bad Bunny. O artista porto-riquenho venceu Álbum do Ano com DeBÍ TiRAR MáS FOTos — feito inédito para um disco inteiramente em espanhol — e também levou o prêmio de Melhor Álbum de Música Urbana. Em seu discurso, Bad Bunny foi um dos mais aplaudidos da noite ao afirmar que a única coisa mais poderosa que o ódio é o amor, defendendo imigrantes e pedindo o fim das ações do ICE.
A cerimônia também teve forte presença brasileira. Caetano Veloso e Maria Bethânia venceram o Grammy de Melhor Álbum de Música Global com Caetano e Bethânia Ao Vivo, levando a música brasileira ao centro do palco internacional e reafirmando a relevância histórica e artística da dupla.
Na categoria Canção do Ano, Billie Eilish venceu com Wildflower. Em seu discurso, a cantora se mostrou esperançosa, reforçando que não pretende parar de lutar e ecoando frases usadas em protestos contra o ICE, destacando que pessoas importam e que vozes precisam continuar sendo ouvidas.
Entre os discursos mais simbólicos da noite esteve o de Gloria Estefan, vencedora do Grammy de Melhor Álbum Latino. A artista cubana convocou todos os latinos a levantarem suas vozes contra políticas que classificou como desumanas, ressaltando o impacto das ações migratórias sobre famílias e crianças.
Kehlani, vencedora de Melhor Canção de R&B com Folded, destacou que a união fortalece a luta contra injustiças, incentivando o setor musical a se posicionar coletivamente. Já Shaboozey, ao vencer Melhor Performance Country, dedicou o prêmio a todos os imigrantes que, segundo ele, construíram este país — literalmente.
O prêmio de Artista Revelação ficou com Olivia Dean. A cantora londrina, filha de mãe guianense-jamaicana, destacou sua própria história familiar ao afirmar ser fruto da coragem de sua avó imigrante, celebrando trajetórias muitas vezes invisibilizadas.
Lady Gaga também teve uma noite expressiva, vencendo Melhor Álbum Vocal de Pop com Mayhem, além de Melhor Gravação de Pop Dance e Melhor Gravação Remixada com Abracadabra. Ariana Grande e Cynthia Erivo levaram Melhor Performance Pop de Duo ou Grupo, enquanto Lola Young venceu Melhor Performance Solo de Pop.
No rock e metal, Turnstile se destacou ao vencer Melhor Performance de Metal e Melhor Álbum de Rock, enquanto Nine Inch Nails levou Melhor Canção de Rock. No R&B e rap, Leon Thomas venceu Melhor Álbum de R&B, e Doechii conquistou Melhor Videoclipe com Anxiety.
A música latina também brilhou com Natalia Lafourcade, vencedora de Melhor Álbum de Pop Latino, enquanto o country consagrou Jelly Roll e Zach Top em suas respectivas categorias.
No campo das trilhas sonoras, Pecadores foi um dos grandes destaques, vencendo Melhor Compilação de Trilha Sonora para Mídia Visual e Melhor Trilha Sonora para Mídia Visual, com Ludwig Göransson. John Williams também foi premiado por Music By John Williams, enquanto Golden, de Guerreiras do K-Pop, venceu Melhor Canção Escrita para Mídia Visual, marcando um feito histórico para o gênero.
Assim, o Grammy 2026 se consolidou como uma edição em que a excelência musical caminhou lado a lado com posicionamentos claros, transformando a celebração da indústria em um palco de afirmação cultural, diversidade e resistência.
