{"id":8691,"date":"2019-06-20T13:24:32","date_gmt":"2019-06-20T16:24:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/terranerdica\/?p=8691"},"modified":"2019-10-09T13:59:38","modified_gmt":"2019-10-09T16:59:38","slug":"fora-de-serie-critica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/terranerdica.com.br\/index.php\/2019\/06\/20\/fora-de-serie-critica\/","title":{"rendered":"Fora de S\u00e9rie | Cr\u00edtica"},"content":{"rendered":"\r\n<p><strong>Olivia Wilde<\/strong> faz parte de um seleto grupo que acerta de primeira. <strong><em>Fora de S\u00e9rie<\/em><\/strong>, sua estreia na dire\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma ode \u00e0 amizade e uma representa\u00e7\u00e3o real da adolesc\u00eancia.\u00a0 <strong>Molly<\/strong> (<strong>Beanie Feldstein<\/strong>) e <strong>Amy<\/strong> (<strong>Kaitlyn Dever<\/strong>) s\u00e3o duas garotas nerds que abdicaram da vida social para focar nos estudos at\u00e9 perceberem que deveriam aproveitar, pelo menos, o \u00faltimo dia antes da formatura e fazer tudo o que n\u00e3o fizeram durante o Ensino M\u00e9dio. Com essa sinopse, \u00e9 poss\u00edvel lembrar de v\u00e1rios filmes de com\u00e9dia pastel\u00e3o que abordam as \u201caventuras muito loucas de jovens que querem se divertir\u201d, com <strong><em>Superbad<\/em><\/strong> ou <strong><em>Projeto X<\/em><\/strong>, mas o longa de Wilde prova seu diferencial a cada cena.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Para come\u00e7ar: diversidade! A princ\u00edpio, lembrei da s\u00e9rie <strong><em>Glee<\/em><\/strong> ao ver como os v\u00e1rios grupos s\u00e3o representados, por\u00e9m, <em>Fora de S\u00e9rie<\/em> vai al\u00e9m. A escola onde as meninas estudam parece ser uma utopia estudantil. S\u00e3o alunos de todas as ra\u00e7as, sexos e tribos, banheiros sem defini\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, professores e diretores que confiam nos alunos, pessoas praticando seus hobbies no meio do p\u00e1tio e sem <em>bullying<\/em>. Parece real? Sim e n\u00e3o. Por mais que seja dif\u00edcil imaginar um ambiente t\u00e3o harm\u00f4nico, principalmente quando o relacionamos a adolescentes, essa escola parece tentar imaginar o que seria o ideal com as atuais mudan\u00e7as na sociedade e consegue muito bem.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>As quest\u00f5es que se passam nas cabe\u00e7as dos jovens s\u00e3o tratadas com perfei\u00e7\u00e3o pela diretora e pelo roteiro. De in\u00edcio, h\u00e1 um ar brega no filme, mas de forma proposital, mostrando como tudo durante esse per\u00edodo de nossas vidas pode ser rid\u00edculo ou transformado em uma grande cat\u00e1strofe em segundos. N\u00e3o lembro de ter visto um projeto que tratasse da sexualidade como algo t\u00e3o natural da vida humana, assim como pulei da cadeira quando percebi como o feminismo \u00e9 pauta chave pra o roteiro. As personagens se questionam se est\u00e3o sendo hip\u00f3critas em suas decis\u00f5es relacionadas a outras mulheres, falam sobre pornografia e masturba\u00e7\u00e3o, quebram o velho estere\u00f3tipo de rivalidade entre mulheres por causa de um personagem masculino e mencionam de forma habitual nomes importantes do movimento, como <em>Time\u2019s Up<\/em> e a militante Malala Yousafzai. Todos os debates s\u00e3o extremamente atuais e, principalmente, verdadeiros. Ao mesmo tempo que elas s\u00e3o muito seguras de si em certos quesitos, possuem v\u00e1rias d\u00favidas sobre seus papeis em outros.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Como j\u00e1 deu para perceber, est\u00e1 dif\u00edcil destacar apenas alguns recortes do filme, mas gostaria que todos prestassem aten\u00e7\u00e3o na montagem e na trilha sonora. A edi\u00e7\u00e3o acompanha cada sentimento das personagens e traz ao espectador a experi\u00eancia sensorial de tais emo\u00e7\u00f5es. J\u00e1 a trilha ajuda essa montagem com efici\u00eancia, ampliando o significado das cenas e se aproveitando de poss\u00edveis refer\u00eancias pr\u00e9vias do espectador. Outra coisa que merece um olhar mais aprofundado s\u00e3o os atores. Todos eles. \u00c9 raro adolescentes aparentarem serem adolescentes em filmes de Hollywood, ent\u00e3o, encontrar bons atores, com a apar\u00eancia das idades certas, que passam veracidade em todas as a\u00e7\u00f5es e express\u00f5es, \u00e9 um deleite para os olhos. At\u00e9 aqueles que poderiam parecer meros arqu\u00e9tipos, possuem suas devidas reviravoltas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>S\u00e3o poucas as coisas que me incomodaram no longa, a principal delas \u00e9 uma sequ\u00eancia em <em>stop-motion<\/em> que, por mais inesperada que seja, n\u00e3o sei se encaixou bem com tudo o que j\u00e1 havia sido apresentado. Ah, e um aviso aos mais racionais: \u00e9 preciso estar bem aberto ao absurdo para poder apreciar o longa. Embora o bom trabalho da dire\u00e7\u00e3o consiga nos convencer de que tudo ali \u00e9 poss\u00edvel, caso sua suspens\u00e3o da descren\u00e7a seja realmente muito baixa, talvez voc\u00ea prefira outro filme. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m h\u00e1 alguns clich\u00eas quase imposs\u00edveis de se esquivar: os pais sem no\u00e7\u00e3o, o aluno apaixonado pela professora, a maluca da turma&#8230; Por\u00e9m, isso \u00e9 t\u00e3o pouco se levarmos em considera\u00e7\u00e3o todos os m\u00e9ritos do filme, que nos permitimos at\u00e9 a gostar desses \u201cerrinhos\u201d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Por fim, Olivia Wilde consegue provar como um humor inteligente, recheado de vergonhas alheias e at\u00e9 bem inclusivo, pode renovar uma f\u00f3rmula ultrapassada da com\u00e9dia. <em>Fora de S\u00e9rie<\/em> \u00e9, ou deveria ser, o futuro bem-sucedido de um g\u00eanero que, aparentemente, s\u00f3 melhora \u00e0 medida que incorpora cada vez mais a realidade do mundo em sua ess\u00eancia.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olivia Wilde faz parte de um seleto grupo que acerta de primeira. 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