{"id":8628,"date":"2019-05-25T16:03:25","date_gmt":"2019-05-25T19:03:25","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/terranerdica\/?p=8628"},"modified":"2019-10-09T14:09:58","modified_gmt":"2019-10-09T17:09:58","slug":"a-vida-de-diane-critica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/terranerdica.com.br\/index.php\/2019\/05\/25\/a-vida-de-diane-critica\/","title":{"rendered":"A Vida de Diane | Cr\u00edtica"},"content":{"rendered":"\r\n<p><strong>Por:<\/strong> Marcelle Souza<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>At\u00e9 mais ou menos a metade do filme, n\u00e3o sabia se <strong><em>A Vida de Diane<\/em><\/strong> iria render uma cr\u00edtica interessante. Mas foi com a cena do bar que tive um estalo e comecei a apreciar mais o que eu estava assistindo. O longa de <strong>Kent Jones<\/strong> \u00e9 um t\u00edpico filme que levaria uma atriz a ser indicada ao Oscar. O enredo me lembrou um pouco <strong><em>Para Sempre Alice<\/em><\/strong>, de 2014, por abordar quest\u00f5es como perda, envelhecimento e mem\u00f3ria. Somos apresentados a <strong>Diane<\/strong> (<strong>Mary Kay Place<\/strong>), uma vi\u00fava aposentada, cuja ess\u00eancia da vida \u00e9 se preocupar com os outros, seja ajudando moradores de rua, ou visitando parentes e amigos. Ao longo do tempo, enquanto ela lida com v\u00e1rias aus\u00eancias, tamb\u00e9m tenta se reaproximar do filho viciado em drogas e entender o significado de sua pr\u00f3pria vida.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Estamos tratando de um filme duro na forma que demonstra a realidade de uma mulher que vive rodeada de pessoas, por\u00e9m, \u00e9 solit\u00e1ria. Por isso, o longa \u00e9 lento e at\u00e9 um pouco mon\u00f3tono. O sil\u00eancio \u00e9 imprescind\u00edvel para ressaltar cada barulho fora do padr\u00e3o que soam como uma metralhadora. A fotografia se alterna entre cores quentes e frias a medida que ela vai se deparando com cada perda. A c\u00e2mera do diretor observa a vida de Diane de longe, nunca deixando sua perspectiva aparecer em cena. Nunca n\u00e3o, h\u00e1 um elemento que se repete diversas vezes durante o longa e \u00e9 a \u00fanica vez que vemos o que a personagem v\u00ea: as estradas. A estradas que s\u00e3o utilizadas, n\u00e3o apenas como transi\u00e7\u00f5es de tempo e espa\u00e7o, mas como caminhos, rotinas, decis\u00f5es, algumas mais retas e acess\u00edveis, outras mais curvas e perigosas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00c9 dif\u00edcil n\u00e3o se pegar imaginando como ser\u00e3o nossas vidas no futuro. Ver Diane perdendo cada amigo nos faz questionar sobre a sorte \u2013 ou n\u00e3o \u2013 de uma vida longa. A invers\u00e3o de pap\u00e9is sociais tamb\u00e9m \u00e9 abordada. Filhos que viram pais de seus pais e come\u00e7am a achar que possuem autoridade sobre eles, pais que dependem dos filhos, mas n\u00e3o podem admitir para si pr\u00f3prios tais posi\u00e7\u00f5es. Qual amor \u00e9 o correto? Os filhos podem realmente interferir na vida dos pais? Os pais devem insistir em se envolver nas vidas dos filhos j\u00e1 adultos? \u00c9 melhor ficar sozinho e n\u00e3o atrapalhar ningu\u00e9m? Todas essas quest\u00f5es s\u00e3o colocadas aqui e cabe ao espectador tirar suas conclus\u00f5es sobre ela.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O longa se empenha na constru\u00e7\u00e3o de cada personagem, n\u00e3o importando sua relev\u00e2ncia na trama. Mary Kay Place est\u00e1 excelente como algu\u00e9m que cansou de correr atr\u00e1s da pr\u00f3pria vida e agora espera a morte \u2013 de seus amigos e a sua. A renuncia a si mesma \u00e9 dolorosa durante todo o filme, mas \u00e9 preciso destacar o momento do bar onde choro e riso se confundem e acalentam um pouco de nossos cora\u00e7\u00f5es. Jake Lacy consegue captar as duas principais fases do filho <strong>Brian<\/strong> de forma bem completa. \u00c9 poss\u00edvel ver e sentir a mudan\u00e7a do personagem com o passar dos anos. \u00c9 uma pena que a rela\u00e7\u00e3o com sua m\u00e3e nunca pare\u00e7a completa. Al\u00e9m disso, todos os coadjuvantes, as pessoas queridas que Diane vai perdendo com o passar do tempo, s\u00e3o presentes durante o filme. Sentimos essas faltas assim como a personagem principal e, enquanto n\u00f3s preenchemos esse vazio com mais um pouco da hist\u00f3ria, Diane escreve poesias e recados para ela mesma.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><em>A Vida de Diane<\/em> pode parecer um filme simples, mas \u00e9 \u00e1spero, denso e contemplativo. O drama n\u00e3o \u00e9 para chorar, mas para nos questionar como as rela\u00e7\u00f5es interpessoais mudam durante a vida e se estamos preparados para os v\u00e1rios poss\u00edveis futuros que nos aguardam.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Marcelle Souza At\u00e9 mais ou menos a metade do filme, n\u00e3o sabia se A Vida de Diane iria render uma cr\u00edtica interessante. Mas foi com a cena do bar que tive um estalo e comecei a apreciar mais o que eu estava assistindo. 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