{"id":8624,"date":"2019-05-22T16:30:58","date_gmt":"2019-05-22T19:30:58","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/terranerdica\/?p=8624"},"modified":"2019-10-09T14:13:12","modified_gmt":"2019-10-09T17:13:12","slug":"b-o-critica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/terranerdica.com.br\/index.php\/2019\/05\/22\/b-o-critica\/","title":{"rendered":"B.O. | Cr\u00edtica"},"content":{"rendered":"\r\n<p><strong>Por:<\/strong> Marcelle Souza<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Um filme sobre cinema para quem faz cinema. Esse poderia ser o <em>slogan<\/em> de <strong><em>B.O.<\/em><\/strong>, com\u00e9dia de <strong>Daniel Belmonte <\/strong>e <strong>Pedro Cadore<\/strong>. A hist\u00f3ria gira em torno de <strong>Pedro<\/strong> (<strong>Daniel Belmonte<\/strong>) e <strong>Fabricio<\/strong> (<strong>Andr\u00e9 Pellegrino<\/strong>), dois jovens cineastas frustrados que tentam provar para o mundo que conseguem produzir um filme de sucesso. Por isso, resolvem fazer um drama de baixo or\u00e7amento para passar em festivais e terem dinheiro para seus pr\u00f3ximos longas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Sendo muito sincera, eu gostei de <em>B.O.<\/em> A metalinguagem do filme fez com que eu visse v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es cotidianas da minha vida de estudante de cinema. Os discursos clich\u00eas de parentes dizendo que a arte n\u00e3o d\u00e1 seguran\u00e7a na vida e que dever\u00edamos fazer concursos p\u00fablicos, as constantes brigas nos sets quando a equipe n\u00e3o consegue se entender, a dificuldade de produzir um filme quando voc\u00ea n\u00e3o tem dinheiro nenhum e tudo \u00e9 na base de favor (o pr\u00f3prio <em>B.O.<\/em> foi financiado por uma campanha de <em>crowdfunding<\/em>), aquele colega riquinho que se acha porque o pai banca todos os filmes e outros <em>white people<\/em> <em>problems<\/em> que, se eu contasse aqui, estragaria a experi\u00eancia do filme. E muito se engana quem pensa que tratar dessas quest\u00f5es \u201cbobas\u201d \u00e9 um problema. Pelo contr\u00e1rio, esse \u00e9 um m\u00e9rito do filme.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Outro m\u00e9rito \u00e9 como que acompanhamos ao processo cria\u00e7\u00e3o do filme dentro do filme desde a <em>brainstorm<\/em> para a cria\u00e7\u00e3o do roteiro, at\u00e9 \u201ccorrer na p\u00f3s\u201d com montagem que tenta corrigir todos os erros dos dias de grava\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 hil\u00e1rio assistir ao ator dedicado que aplica o M\u00e9todo Stanislavski para n\u00e3o sair do papel. Atrav\u00e9s da c\u00e2mera do diretor (do filme inventado), conseguimos nos imaginar assistindo verdadeiramente ao resultado no cinema, o que cria v\u00e1rios momentos de vergonha alheia verdadeiramente engra\u00e7ados. E eu preciso destacar a \u201ccena do aeroporto\u201d cuja fotografia bel\u00edssima e trilha sonora tocantes s\u00e3o utilizadas de forma extremamente ir\u00f4nica para exemplificar cada clich\u00ea que estamos acostumados a assistir na tela grande.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Mesmo com v\u00e1rios acertos, <em>B.O.<\/em> erra, principalmente, com seus personagens. <strong>Amaral<\/strong> (<strong>George Sauma<\/strong>) \u00e9 insuport\u00e1vel. Por mais que essa seja a inten\u00e7\u00e3o, ele segue completamente o arqu\u00e9tipo do amigo sem no\u00e7\u00e3o. \u00c9 chato, inveross\u00edmil e 100% unidimensional, mais parece o personagem de um programa ruim de com\u00e9dia da TV aberta. Outro problema \u00e9 <strong>Nan\u00e3o Cordeiro<\/strong>, personagem de <strong>Hernane Cardoso<\/strong> . Por mais que exista uma tentativa de aprofundar o <em>youtuber<\/em> atrav\u00e9s da tem\u00e1tica atual sobre a escravid\u00e3o de inscritos e <em>likes<\/em>, suas crises de estrelismo s\u00e3o t\u00e3o ruins que n\u00e3o tem como assimilar esse aprofundamento e n\u00f3s paramos de nos importar com o personagem rapidamente. Por \u00faltimo, Daniel Belmonte e Andr\u00e9 Pellegrino est\u00e3o bem nos pap\u00e9is de diretor e roteirista desesperados para conseguir completar seus projetos. At\u00e9 \u00e9 poss\u00edvel enxergar talento nos personagens, mas os atores s\u00e3o engolidos pelos clich\u00eas dos coadjuvantes.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><em>B.O.<\/em> \u00e9 um longa cheio de ironias c\u00f4micas, a montagem \u00e9 criativa e se destaca em momentos memor\u00e1veis como um final <em>fake<\/em> e uma festa inesperada no meio das grava\u00e7\u00f5es. A dire\u00e7\u00e3o \u00e9 autoral e faz quest\u00e3o de se mostrar presente atrav\u00e9s de uma c\u00e2mera na m\u00e3o e bem \u00edntima e tremida. No entanto, no meio de v\u00e1rias qualidades, o filme pode perder a aten\u00e7\u00e3o do espectador pela especificidade do seu roteiro. Se voc\u00ea n\u00e3o entendeu alguns dos termos que usei para esta cr\u00edtica, como o M\u00e9todo Stanislavski ou \u201ccorrer na p\u00f3s\u201d, n\u00e3o se sinta mal. Isso \u00e9 porque voc\u00ea n\u00e3o pertence ao nicho que realmente deve se sentir atra\u00eddo pelo filme. Como eu disse no in\u00edcio, <em>B.O.<\/em> \u00e9 um filme sobre cinema para quem faz cinema e, exatamente por isso, sua maior qualidade \u00e9 tamb\u00e9m seu maior defeito. Enquanto alguns ir\u00e3o sair se sentindo representados da sala do cinema, talvez outros n\u00e3o tenham nem a experi\u00eancia de um sorriso de canto de boca.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Marcelle Souza Um filme sobre cinema para quem faz cinema. Esse poderia ser o slogan de B.O., com\u00e9dia de Daniel Belmonte e Pedro Cadore. A hist\u00f3ria gira em torno de Pedro (Daniel Belmonte) e Fabricio (Andr\u00e9 Pellegrino), dois jovens cineastas frustrados que tentam provar para o mundo que conseguem produzir um filme de sucesso. 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