{"id":7308,"date":"2018-10-02T23:55:46","date_gmt":"2018-10-03T02:55:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/terranerdica\/?p=7308"},"modified":"2018-10-02T23:55:46","modified_gmt":"2018-10-03T02:55:46","slug":"critica-ponto-cego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/terranerdica.com.br\/index.php\/2018\/10\/02\/critica-ponto-cego\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica | Ponto Cego"},"content":{"rendered":"\n<p>A ind\u00fastria audiovisual estadunidense vem passando por um momento particular e extremamente interessante: h\u00e1 uma grande quantidade de produ\u00e7\u00f5es realizadas com o intuito de questionar o papel do negro na sociedade norte-americana. Desde o clipe visceral de <strong>This<\/strong> <strong>is America<\/strong> \u00e0 <em>sitcom<\/em> mais tranquila de <strong>Blackish<\/strong>, passando pelo terror psicol\u00f3gico de <strong>Corra!<\/strong>; estes filmes buscam questionar temas como o racismo estrutural desta sociedade, presente em declara\u00e7\u00f5es veladas, na brutalidade policial, entre outras atitudes, que, normalmente, passam inc\u00f3lumes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ponto<\/strong> <strong>Cego<\/strong> figura entre estas obras e, certamente, j\u00e1 se destaca como uma das mais importantes a tratar desta tem\u00e1tica. Logo no primeiro momento da proje\u00e7\u00e3o podemos perceber que este longa metragem possui um estilo pr\u00f3prio. Situado em Oakland, California, vemos uma tela dividida mostrando duas facetas da cidade: o lado &#8220;raiz&#8221; mostrando a popula\u00e7\u00e3o local, majoritariamente negra e pobre e, em contraponto, o lado gentrificado, com a chegada da popula\u00e7\u00e3o <em>hipster<\/em>, majoritariamente rica e branca.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/localhost\/terranerdica\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/blindspotting-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7310\" width=\"350\" height=\"200\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Esta dualidade \u00e9 um dos temas centrais da trama. A hist\u00f3ria retrata a amizade entre <strong>Collin<\/strong> (<strong>Daveed<\/strong> <strong>Digs<\/strong>) e <strong>Miles<\/strong> (<strong>Rafael<\/strong> <strong>Casal<\/strong>). O primeiro \u00e9 um homem negro que est\u00e1 nos seus tr\u00eas \u00faltimos dias de liberdade condicional, por isso, ele evita qualquer encrenca que possa o levar de volta a cadeia. J\u00e1 o segundo \u00e9 um homem branco, que nunca foi preso, mas, por ter vivido em um bairro perigoso a vida toda \u00e9 impulsivo e imprudente, possuindo uma pose durona, com o corpo todo tatuado e utilizando\u00a0<em>grillz<\/em> nos dentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro tema extremamente importante para o filme diz respeito \u00e9 a identidade. Collin passa por um intenso processo de auto questionamento\u00a0 ap\u00f3s presenciar o assassinado de um jovem negro pelas m\u00e3os de policiais truculentos. Ele passa a indagar qual seu papel na sociedade e qual o papel daqueles ao seu redor. Ele questiona o ponto de vista dos outros com rela\u00e7\u00e3o a ele e como esses outros agem no meio em que ele se insere.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/localhost\/terranerdica\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/blindspotting-7.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7311\" width=\"350\" height=\"200\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Essas quest\u00f5es s\u00e3o tamb\u00e9m inseridas na forma como a narrativa \u00e9 contada. O longa transita constantemente entre a com\u00e9dia e o drama de maneira muito bem dosada. O ritmo do filme \u00e9 vital e preciso. A montagem faz quest\u00e3o de n\u00e3o deixar nenhum excesso, fazendo com que o filme mostre o necess\u00e1rio e se mantenha fluido. As rimas s\u00e3o constantes tamb\u00e9m, sejam nas falas de seus personagens ou nos cortes e planos justapostos. A edi\u00e7\u00e3o de <strong>Gabriel<\/strong> <strong>Flamming<\/strong> \u00e9 precisa.<\/p>\n\n\n\n<p>O roteiro \u00e9 escrito por Digs e Casal, que tamb\u00e9m s\u00e3o melhores amigos fora das telonas, portanto, nada mais certo do que centrar a hist\u00f3ria na rela\u00e7\u00e3o e na qu\u00edmica dos dois protagonistas. Al\u00e9m disso, o roteiro \u00e9 uma espiral crescente, quanto mais o p\u00fablico mergulha na dupla de personagens, mais intenso o filme se torna. As falas s\u00e3o muito bem escritas, os momentos c\u00f4micos adicionam realismo a trama e os momentos de rima servem como uma esp\u00e9cie de quebra de quarta parede com a fun\u00e7\u00e3o de exprimir o sentimento dos personagens e mexer com o espectador.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/localhost\/terranerdica\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/blindspotting-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7312\" width=\"350\" height=\"200\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A dire\u00e7\u00e3o do estreante\u00a0<strong>Carlos L\u00f3pez Estrada<\/strong>\u00a0\u00e9 um excelente trabalho para um primeiro longa metragem. As rimas visuais e as escolhas de planos ditos acima s\u00e3o muito bem encaixados. A apresenta\u00e7\u00e3o da Oakland gentrificada atrav\u00e9s de <em>travellings <\/em>\u00a0e do uso das cores atrav\u00e9s da fotografia de\u00a0<strong>Robby Baumgartner<\/strong>\u00a0d\u00e3o um tom vibrante e pulsante para o local, al\u00e9m de suavizar o tom do filme. Al\u00e9m disso, ao decorrer a trama, percebemos uma perda de algumas destas cores e a presen\u00e7a mais fortes de outras, como o vermelho e o preto.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>As atua\u00e7\u00f5es de Digs e Casal s\u00e3o o que movem o filme. Os dois possuem uma qu\u00edmica incr\u00edvel, o que possibilitam um grande dinamismo tanto nas cenas c\u00f4micas, quanto nos momentos mais dram\u00e1ticos. Os personagens secund\u00e1rios possuem participa\u00e7\u00f5es pontuais e momentos cruciais para a trama devido as suas atua\u00e7\u00f5es, como o menino que interpreta o filho de Miles ou <strong>Ethan<\/strong> <strong>Embry<\/strong> que faz o policial que Collin viu matar um jovem negro.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/localhost\/terranerdica\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/5-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-7314\" width=\"225\" height=\"45\" \/><figcaption>Nota: 5\/5<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Ponto Cego foi um filme que me pegou completamente desprevenido. Eu n\u00e3o dava nada por este filme e fui assisti-lo com a menor quantidade de informa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, acabei saindo do cinema questionando diversas coisas da nossa sociedade e arrasado. Por isso, tentei fazer uma cr\u00edtica entregando o m\u00ednimo da hist\u00f3ria e focando em alguns detalhes interessantes para te convencer a assistir a esta obra, pois vale a pena. \u00c9 um longa divertido, com diversos momentos c\u00f4micos, mas que retrata uma realidade crua, dura e visceral. \u00c9 um filme necess\u00e1rio e, certamente, uma das melhores produ\u00e7\u00f5es do ano.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ind\u00fastria audiovisual estadunidense vem passando por um momento particular e extremamente interessante: h\u00e1 uma grande quantidade de produ\u00e7\u00f5es realizadas com o intuito de questionar o papel do negro na sociedade norte-americana. 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