{"id":6895,"date":"2018-08-19T19:54:13","date_gmt":"2018-08-19T22:54:13","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/terranerdica\/?p=6895"},"modified":"2018-08-19T19:54:13","modified_gmt":"2018-08-19T22:54:13","slug":"vale-a-pena-ver-dope-um-deslize-perigoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/terranerdica.com.br\/index.php\/2018\/08\/19\/vale-a-pena-ver-dope-um-deslize-perigoso\/","title":{"rendered":"Vale a pena ver | Dope: Um Deslize Perigoso"},"content":{"rendered":"\n<p>Iniciando-se com uma narra\u00e7\u00e3o em <em>off<\/em> de <strong>Forest<\/strong> <strong>Whitaker<\/strong>, <strong>Dope<\/strong>: <strong>Um Deslize Perigoso<\/strong> logo me lembrou da s\u00e9rie <strong>Cara Gente Branca<\/strong>\u00a0e essa rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de se estranhar. Em termos est\u00e9ticos, o filme se assemelha bastante a um epis\u00f3dio da s\u00e9rie, com um roteiro que aborda quest\u00f5es extremamente relevantes a respeito do papel do negro na sociedade atual. Apesar disso, o filme \u00e9 muito mais do que isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo da trama, observamos ele flertar com os mais diversos g\u00eaneros, mas, se tiv\u00e9ssemos que enquadra-lo em algum, provavelmente ele entraria para a com\u00e9dia, mais especificamente para o subg\u00eanero dos filmes de adolescente. Isto porque temos como protagonista <strong>Malcolm<\/strong> (<strong>Shameik<\/strong> <strong>Moore<\/strong>), um jovem de Inglewood, California.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/localhost\/terranerdica\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/dope2-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6900\" width=\"339\" height=\"190\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Apesar de viver em um bairro perigoso, ele \u00e9 um rapaz exemplar, que tira notas altas, sonha em ir para Harvard e adora cultura geek e, por isso, sofre bullying na escola. Ele possui dois amigos insepar\u00e1veis\u00a0<strong>Diggy<\/strong> (<strong>Kiersey Clemons<\/strong>) e <strong>Jib<\/strong> (<strong>Tony Revolori<\/strong>) com quem ele compartilha o amor pelo hip hop dos anos 90 e juntos tocam em uma banda, a\u00a0<strong>Awreeoh<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, como j\u00e1 alarmava <strong>Tupac<\/strong> em California Love: &#8220;Inglewood always up to no good&#8221; (Inglewood, sempre aprontando alguma\u00a0\u2013 tradu\u00e7\u00e3o livre), basta virar uma esquina errada e voc\u00ea pode arranjar algum problema e \u00e9 justamente isso que Malcolm encontra. Ao encontrar com o traficante local <strong>Dom<\/strong> (<strong>A$AP<\/strong> <strong>Rocky<\/strong>), os tr\u00eas jovens v\u00e3o a uma de suas festas, mas, durante uma troca de tiros entre traficantes e policiais, eles acidentalmente levam uma mochila lotada de MDMA para casa. Agora os jovens precisam dar um jeito de se livrar de toda essa droga, antes que eles corram risco de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>O interessante de Dope: Um Deslize Perigoso \u00e9 que o filme consegue ser, ao mesmo tempo, extremamente atual e nost\u00e1lgico. Como os personagens principais s\u00e3o fissurados pela cultura dos anos 90, vemos figurinos que parecem retirados da \u00e9poca se mesclando com coisas como iPhones, deepweb, redes sociais, que criam uma sensa\u00e7\u00e3o de atemporalidade para o filme. A pr\u00f3pria trilha sonora tamb\u00e9m realiza esta mescla, com m\u00fasicas autorais da banda misturadas a m\u00fasicas dos anos 90.\u00a0<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/localhost\/terranerdica\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/tumblr_och0g1KVH11vctbbwo10_1280.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6901\" width=\"362\" height=\"181\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>O roteiro de <strong>Rick<\/strong> <strong>Famuyiwa<\/strong> \u00e9 bem interessante e original. O filme parece algo tirado de um roteiro de <strong>Quentin<\/strong> <strong>Tarantino<\/strong>, s\u00f3 que sem a viol\u00eancia explicita e misturado com doses homeop\u00e1ticas de <strong>Superbad<\/strong>. H\u00e1 algumas partes em que o humor \u00e9 gr\u00e1fico e escatol\u00f3gico, mas, na maior parte do tempo, \u00e9 um humor negro, sarc\u00e1stico e sagaz. Al\u00e9m disso, a empatia pelos personagens \u00e9 instant\u00e2nea. O roteiro os desenvolve muito bem e de forma extremamente naturalista e cr\u00edvel. Entretanto, h\u00e1 alguns deslizes no roteiro, que, em alguns momentos, acaba sendo expositivo demais.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio apenas um personagem bem escrito para termos empatia por ele, as atua\u00e7\u00f5es devem estar a altura destes personagens e, nesse quesito, o filme n\u00e3o deixa a desejar.\u00a0Shameik Moore est\u00e1 impec\u00e1vel, \u00e9 impressionante o que este rapaz faz com seu personagem, ele \u00e9 o centro do longa e carrega o filme com as costas.\u00a0Kiersey\u00a0Clemons\u00a0e Tony Revolori s\u00e3o personagens perif\u00e9ricos, mas t\u00eam seus momentos de brilho como al\u00edvios c\u00f4micos e suportes para Malcolm.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/localhost\/terranerdica\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/dope-2015-1200-1200-675-675-crop-000000-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6903\" width=\"364\" height=\"204\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A fotografia de <strong>Rachel<\/strong> <strong>Morrison<\/strong>\u00a0\u00e9 uma beleza a parte, para criar este tom nost\u00e1lgico e noventista, vemos o uso excessivo de cores vibrantes para emular a extravagancia da \u00e9poca. Al\u00e9m disso, temos uma edi\u00e7\u00e3o \u00e1gil e fren\u00e9tica, com cenas com cortes paralelos, uso de efeitos <em>rewinds<\/em> para mostrar <em>flashbacks<\/em> e inser\u00e7\u00f5es gr\u00e1ficas para mostrar mensagens e coisas do g\u00eanero.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/localhost\/terranerdica\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/45-300x60.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6904\" width=\"287\" height=\"58\" \/><figcaption>Nosta 4.5\/5<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Enfim, Dope: Um Deslize Perigoso \u00e9 um filme extremamente relevante que passou longe do radar de muita gente. Ele possui um prop\u00f3sito de quebrar o esteri\u00f3tipo do personagem jovem e negro nascido em periferias e realiza isso com maestria. \u00c9 um <em>coming<\/em> <em>of<\/em> <em>age<\/em> interessante e divertid\u00edssimo. Um excelente filme para se assistir. Espero que tenha convencido voc\u00eas a assisti-lo e aproveitem enquanto est\u00e1 na <strong>Netflix<\/strong>!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iniciando-se com uma narra\u00e7\u00e3o em off de Forest Whitaker, Dope: Um Deslize Perigoso logo me lembrou da s\u00e9rie Cara Gente Branca\u00a0e essa rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de se estranhar. 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