{"id":4466,"date":"2017-12-05T20:36:02","date_gmt":"2017-12-05T22:36:02","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/terranerdica\/?p=4466"},"modified":"2021-11-03T09:11:28","modified_gmt":"2021-11-03T12:11:28","slug":"c-s-lewis-entrevista-com-a-tradutora-do-autor-aqui-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/terranerdica.com.br\/index.php\/2017\/12\/05\/c-s-lewis-entrevista-com-a-tradutora-do-autor-aqui-no-brasil\/","title":{"rendered":"C.S. Lewis | Entrevista com a tradutora do autor aqui no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>C. S. Lewis \u00e9 uma figura reconhecida mundialmente por suas obras de qualidade e extremamente fascinantes. O autor de &#8221; <em>As Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia<\/em>&#8221; possui uma infinidade de t\u00edtulos publicados entre variados estilos.<\/p>\n<p>Levando isso em considera\u00e7\u00e3o, a editora <strong>Thomas Nelson Brasil<\/strong> tem trazido diversas publica\u00e7\u00f5es para o Brasil &#8211; em edi\u00e7\u00f5es muito bonitas. Dentre essas obras encontram-se\u00a0 <em>Cristianismo puro e simples<\/em>, <em>A Aboli\u00e7\u00e3o do homem<\/em> e <em>Cartas de um diabo a seu aprendiz,\u00a0<\/em>traduzidos por <strong>Gabriele Greggersen.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de tradutora, Gabriele \u00e9 tamb\u00e9m uma estudiosa e f\u00e3 de C. S. Lewis possui cinco livros publicados e que se relacionam com a obra do autor. O Terra N\u00e9rdica conseguiu realizar uma entrevista no m\u00ednimo interessante com a tradutora. Acompanhe abaixo.<\/p>\n<p>[foogallery id=&#8221;4484&#8243;]<\/p>\n<p><strong>TERRA N\u00c9RDICA<\/strong>:<strong> C. S. Lewis \u00e9 um autor e uma personalidade reconhecido no mundo inteiro. Al\u00e9m disso, ele coleciona f\u00e3s de sua escrita em diversas partes do mundo e dos mais variados tipos. Acredito que voc\u00ea Gabi, seja uma apreciadora da vasta obra de C.S., j\u00e1 que possui cinco livros publicados que se relacionam com a obra do autor. Poderia falar um pouco como e quando o interesse pelos escritos de C.S. Lewis come\u00e7ou?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GABRIELE GREGGERSEN:\u00a0<\/strong>Bom, a hist\u00f3ria \u00e9 longa e conhecida da maioria daqueles que j\u00e1 me conhecem de uma forma ou de outra, mas vou tentar resumir.<\/p>\n<p>Tive o primeiro contato com Lewis na inf\u00e2ncia, com o desenho animado de <em>O le\u00e3o, a feiticeira e o guarda-roupa <\/em>(<strong>Martins Fontes<\/strong>). Eu sempre me emocionava quando via, mas n\u00e3o associava \u00e0 B\u00edblia ou cristianismo, a n\u00e3o ser ao Natal (embora nessa vers\u00e3o a figura do Papai Noel tivesse sido censurada), mesmo j\u00e1 sendo crist\u00e3 e tendo vindo de lar crist\u00e3o. Depois os meus irm\u00e3os mais velhos leram as Cr\u00f4nicas no grupo de jovens e eu surrupiei os livros.<\/p>\n<p>Mais alguns anos e fui reencontrar Lewis no banco do curso de gradua\u00e7\u00e3o em Pedagogia da USP, com um professor muito eminente de filosofia, Luiz Jean Lauand. Na \u00e9poca o livro citado foi <em>Cartas de um diabo a seu aprendiz <\/em>(Thomas Nelson). Isso rendeu horas a fio de muita conversa e uma amizade que dura at\u00e9 os dias de hoje. Na minha inf\u00e2ncia, Lewis representava um alento, com seu mundo imagin\u00e1rio, ao mundo j\u00e1 cruel que eu via a meu redor. J\u00e1 na gradua\u00e7\u00e3o, ele foi minha t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o contra um mundo igrejeiro que me aconselhava a ter cuidado com a chamada \u201cTeologia da Liberta\u00e7\u00e3o\u201d de um tal de Paulo Freire e que eu n\u00e3o \u201cestudasse demais para n\u00e3o perder minha f\u00e9\u201d; por um lado; e um mundo hostil ao cristianismo na faculdade, por outro.<\/p>\n<p>Quando terminei a gradua\u00e7\u00e3o, procurei o professor Lauand para ser meu orientador de mestrado e ele me disse que s\u00f3 o faria, se eu estudasse quem nos havia unido. No mestrado eu me dei conta de quantos livros Lewis tinha escrito e em que n\u00edvel filos\u00f3fico teol\u00f3gico e desisti da empreitada, para fazer a tradu\u00e7\u00e3o comentada do equivalente dele no mundo cat\u00f3lico, Josef Pieper. Mas Lauand n\u00e3o desistiu de mim e logo foi me desafiando ao doutorado, retomando Lewis, agora em outro n\u00edvel, assim que sa\u00edmos da banca de defesa do metrado. Tr\u00eas anos e meio depois eu defenderia a tese de disserta\u00e7\u00e3o <em>Antropologia filos\u00f3fica de C.S. Lewis<\/em> (Editora Mackenzie), que virou livro e est\u00e1 dispon\u00edvel em forma reduzida pela Editora Prismas de Curitiba, com o nome de <em>O le\u00e3o, a feiticeira e o guarda-roupa e a B\u00edblia<\/em>.<\/p>\n<p>A tese j\u00e1 tem quase vinte anos. Meu interesse por Lewis n\u00e3o diminui desde ent\u00e3o e continuo escrevendo e palestrando sobre ele. Inclusive tenho um site <a href=\"http:\/\/cslewis.com.br\">http:\/\/cslewis.com.br<\/a>, ligado \u00e0 Editora Ultimato, que tamb\u00e9m tem se empenhado muito na divulga\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o de obras de C.S. Lewis. Isso porque ele fala diretamente \u00e0s d\u00favidas e conflitos que tenho em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9. Lewis n\u00e3o escreveu para crist\u00e3os que aceitam tudo com facilidade e n\u00e3o questionam nada. Pelo contr\u00e1rio, ele \u00e9 para os esp\u00edritos inquietos, que n\u00e3o se contentam com pouco ou com o feij\u00e3o com arroz e querem uma feijoada encorpada para mastigar e se deliciar<\/p>\n<p><strong>TN<\/strong>: <strong>Olhando profundamente as obras do autor, \u00e9 poss\u00edvel notar que ele possui uma rela\u00e7\u00e3o muito forte com a f\u00e9 e a religiosidade. Voc\u00ea acredita que suas obras possam sair do contexto religioso? Quer dizer, voc\u00ea acha poss\u00edvel que suas obras cativem pessoas que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o conectadas com a f\u00e9?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GG:\u00a0<\/strong>Com certeza, principalmente a sua obra de fic\u00e7\u00e3o, especialmente as <em>Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia<\/em>, mas tamb\u00e9m a <em>Trilogia Espacial<\/em> e outros livros de fic\u00e7\u00e3o como <em>At\u00e9 que tenhamos rostos<\/em> (Ultimato), <em>O regresso do Peregrino<\/em> (Ichtus), <em>O grande abismo<\/em> (Vida), e <em>Cartas de um diabo a seu aprendiz<\/em> (Thomas Nelson). Tanto que tem gente que l\u00ea e aprecia esses livros ou at\u00e9 mesmo v\u00ea os filmes de N\u00e1rnia e n\u00e3o faz qualquer associa\u00e7\u00e3o religiosa. Apesar de ter sido acusado de embutir mensagens crist\u00e3s nas entrelinhas de seus escritos ficcionais, ele jamais os escreveu com cunho religioso, mas para escrever o tipo de obra que ele mesmo gostaria de ler. Foi com essa ideia de comum acordo em mente que os amigos C.S. Lewis e J.R.R. Tolkien decidiram come\u00e7ar a escrever, cada um de seu jeito, para o grande p\u00fablico. Eles queriam nada mais, nada menos, do que escrever cl\u00e1ssicos universais para todas as idades, culturas, \u00e9pocas, l\u00ednguas e lugares e acho que conseguiram. \u00c9 claro que como bom crist\u00e3o e apreciador dos temas religiosos, que s\u00e3o t\u00e3o comuns nos grandes cl\u00e1ssicos, eles n\u00e3o poderiam resistir a esses temas. Pode um cl\u00e1ssico deixar de falar do transcendente, meu Deus? Mas o tema central das Cr\u00f4nicas \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o de uma Terra encantada pela participa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as humanas e a f\u00e9 no sentido lato, e da trilogia espacial \u00e9 a ci\u00eancia e o racionalismo e n\u00e3o a religi\u00e3o diretamente.<\/p>\n<p>Quando Lewis estava a fim de escrever sobre religi\u00e3o, ele o fazia em obras expl\u00edcitas sobre o assunto: <em>Cristianismo Puro e Simples<\/em>, <em>O Problema de Sofrimento<\/em> e <em>Milagres<\/em> s\u00e3o livros que falam do cristianismo. Mas mesmo um n\u00e3o crist\u00e3o ou n\u00e3o-religioso ou de outra religi\u00e3o pode apreci\u00e1-los por sua qualidade liter\u00e1ria e pela import\u00e2ncia universal dos temas que esses livros abordam.<\/p>\n<p><strong>TN:\u00a0Voc\u00ea poderia contar alguma curiosidade que descobriu sobre o autor? Algo que voc\u00ea ache que as pessoas, de forma geral, n\u00e3o sabem, mas que voc\u00ea acha interessante.<\/strong><\/p>\n<p><strong>GG:\u00a0<\/strong>Bom tem a hist\u00f3ria por tr\u00e1s do seu nome para os \u00edntimos, que era \u201cJack\u201d. Ele assumiu esse nome por decis\u00e3o dele mesmo e n\u00e3o por outros, como no caso da maioria dos apelidos que as pessoas recebem. E foi quando ele ainda era bem pequeno e viu o seu cachorro amado, de nome Jacksie, ser atropelado. A partir de ent\u00e3o, em mem\u00f3ria do animal querido, ele decidiu que passaria a ser chamado de Jack, para os mais chegados<\/p>\n<p><strong>TN:<\/strong> <strong>Qual a sua obra favorita do autor? Com qual delas voc\u00ea achou mais dif\u00edcil de trabalhar?<\/strong><\/p>\n<p><b>GG:<\/b>\u00a0Isso \u00e9 muito dif\u00edcil de dizer porque Lewis \u00e9 um autor multifacetado, que transitou por v\u00e1rios g\u00eaneros e porque eu mesma tamb\u00e9m n\u00e3o sou menos ecl\u00e9tica. Ent\u00e3o, vamos por partes:<\/p>\n<p>Como ser humano com grande criatividade e imagina\u00e7\u00e3o, meu <em>best-seller<\/em> s\u00e3o as <em>Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia<\/em>. O meu lado de educadora d\u00e1 prefer\u00eancia, como n\u00e3o deixaria de ser, \u00e0 <em>Aboli\u00e7\u00e3o do Homem<\/em>. Meu lado te\u00f3loga, a <em>Cristianismo Puro e Simples<\/em>. Meu lado futurista, \u00e0 <em>Trilogia Espacial<\/em> (Martins Fontes). Meu lado psicol\u00f3gico e mulher, a <em>At\u00e9 que tenhamos rostos<\/em> (Ultimato). Meu lado humor\u00edstico, a <em>Cartas de um Diabo a seu Aprendiz<\/em>. Meu lado devocional, ao <em>Peso da Gl\u00f3ria<\/em>.<\/p>\n<p>O livro mais denso que entre suas obras liter\u00e1rias que eu achei foi a sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado <em>A Alegoria do Amor<\/em> (Ed. \u00c9-Realiza\u00e7\u00f5es), que tamb\u00e9m tive o privil\u00e9gio (e o desafio) de traduzir, n\u00e3o s\u00f3 pela linguagem acad\u00eamica e refinada, mas pela quantidade de cita\u00e7\u00f5es de autores de todos os tempos e l\u00ednguas, de que eu n\u00e3o fazia ideia de quem eram. Em suma, sua erudi\u00e7\u00e3o foi o maior problema. Mas o que ajuda \u00e9 que ele tenta assim mesmo, ser acess\u00edvel e did\u00e1tico, pelo que n\u00e3o podemos consider\u00e1-lo um autor prolixo. Entre os livros teol\u00f3gicos dele, considero <em>Milagres<\/em> o mais complexo e dif\u00edcil de entender, tanto que houve uma fil\u00f3sofa que questionou um ponto obscuro da obra sobre o naturalismo, que Lewis reviu em edi\u00e7\u00f5es posteriores.<\/p>\n<p><strong>TN:<\/strong> <strong>O que voc\u00ea acha da rela\u00e7\u00e3o de Tolkien com C.S. Lewis? Na sua opini\u00e3o, o que voc\u00ea acha que mantinha os dois muito amigos? Voc\u00ea consegue encontrar similaridades entre as obras dos dois?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GG:<\/strong> Como comentei antes, eles eram amigos, no sentido mais aut\u00eantico do termo e descrito por Lewis teoricamente em <em>Os Quatro Amores<\/em> (Thomas Nelson), quando fala de amizade. Eles olhavam para as mesmas coisas, apreciando a literatura, particularmente a mitologia e dos contos de fada e, mais tarde, a B\u00edblia e a linguagem. Eles gostavam de elucubrar a partir desses mitos fazendo o que chamavam de teologia do romance, que hoje chamamos de teopo\u00e9tica. At\u00e9 fundaram um clube para reunir pessoas em torno da mesma aprecia\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, foi fazendo teopo\u00e9tica que Lewis se converteu ao cristianismo. Numa conversa com Tolkien e mais um colega do clube, chamado Inklings, Lewis descobriu que o relato dos Evangelhos tem a mesma estrutura dos mitos com uma diferen\u00e7a: nele o mito se tornou fato, ou seja, o que os mitos e contos de fada fantasiam e vestem de deuses e semideuses, a B\u00edblia concretiza na pessoa de Cristo, o Deus que se encarnou em ser humano, morrendo pela humanidade e resgatando a mesma para a eternidade. Com isso, Ele derrotou o mal de uma vez por todas. Isso convenceu Lewis que, naquela noite, se tornou o \u201cmais relutante de todos os convertidos\u201d, como ele o expressou em sua autobiografia <em>Surpreendido pela Alegria<\/em> (Ed. Mundo Crist\u00e3o). H\u00e1 uma biografia muito boa de <em>O mais relutante dos convertidos<\/em>, de David Downing (Ed. Vida) que relata muito bem essa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>E esse interesse comum e a j\u00e1 mencionada vontade de escrever e trocar manuscritos foi que alimentava essa amizade, que s\u00f3 foi interrompida quando Lewis fez amizade com Charles Williams, do qual Tolkien n\u00e3o gostava e quando ele se casou com Joy Davidman no final de sua vida. (Essa hist\u00f3ria voc\u00eas podem ver no filme Terra das Sombras, com Anthony Hopkins fazendo o papel de Lewis).<\/p>\n<p>Essa busca pela literatura cl\u00e1ssica e suas verdades universais \u00e9 o ponto em comum entre as obras de Lewis e Tolkien que n\u00e3o por acaso sempre t\u00eam algo de medieval em seu paladar. Ambos beberam de Santo Agostinho, S\u00e3o Tom\u00e1s e dos Pais da Igreja. Mas as semelhan\u00e7as terminam por a\u00ed, pois Tolkien tinha muito mais f\u00f4lego do que Lewis, ia mais fundo e era mais rico em detalhes e minucioso em seus escritos. Enquanto Lewis mal fazia revis\u00e3o do que ele escrevia, Tolkien fazia tantas revis\u00f5es e mudan\u00e7as, que muitas das obras que temos hoje est\u00e3o em forma de fragmentos e escritos inacabados, al\u00e9m de existirem diferentes vers\u00f5es de diversas cenas.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, a rapidez com que Lewis terminava e encaminhava suas obras irritava profundamente Tolkien que tamb\u00e9m criticava as Cr\u00f4nicas por seu excesso de imagens e sua confus\u00e3o de figuras de diversas mitologias misturadas (alguns atribuem isso ao ci\u00fame do sucesso imediato de Lewis com as Cr\u00f4nicas e Cartas de um Diabo a seu Aprendiz). Ele tamb\u00e9m achava que a associa\u00e7\u00e3o com o cristianismo que Lewis fazia era muito expl\u00edcita, beirando na alegoria. Mas Lewis negava que estava fazendo alegoria em que h\u00e1 uma moral obrigat\u00f3ria embutida nas entrelinhas das obras. Ele fazia s\u00e9rias restri\u00e7\u00f5es \u00e0s obras aleg\u00f3ricas.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica que Lewis fazia a Tolkien era contra o seu des\u00e2nimo e frequente vontade de desistir do empreendimento todo. \u00c9 poss\u00edvel que Tolkien n\u00e3o tenha terminado sua gigantesca obra se n\u00e3o fosse pelo incentivo sempre presente de Lewis (e tamb\u00e9m de seu filho que cuidou da edi\u00e7\u00e3o das obras p\u00f3stumas, Christopher Tolkien). E isso faz parte da amizade: que um fa\u00e7a a cr\u00edtica do outro, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p><strong>TN:<\/strong> <strong>As obras de C.S. Lewis sempre nos trazem ensinamentos. Qual foi a maior li\u00e7\u00e3o que voc\u00ea aprendeu com o autor?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GG:<\/strong> Essa pergunta \u00e9 bem dif\u00edcil, pois perdi a conta de quantas coisas por mim aprendidas nas leituras que fiz de Lewis e autores correlatos. Aprendi basicamente que as quest\u00f5es crist\u00e3s n\u00e3o devem ser tratadas de forma simplista e manique\u00edsta ou extremista &#8211; quer seja liberal, no sentido de que tudo pode, quer seja fundamentalista &#8211; mas com modera\u00e7\u00e3o, equil\u00edbrio e discernimento. Como bom anglicano, ele sempre escolhe a via m\u00e9dia, ou seja, o caminho do meio entre os extremos e tenta usar de um realismo que leva em conta a subjetividade e a psicologia, mas recomenda que nos libertemos das nossas tend\u00eancias narcisistas e emsimesmadas e nos abramos para a totalidade do real.<\/p>\n<p>Mas acho que a principal li\u00e7\u00e3o que aprendi com ele est\u00e1 ligada \u00e0 pessoa de C.S. Lewis e seu jeito de ser e agir, e que se reflete nos seus escritos. Ele era muito simples e engajado na ajuda ao outro. Todos os royalties de seus livros iam para entidades de caridade. Mas ele n\u00e3o era apenas uma pessoa caridosa, mas tamb\u00e9m honesta. Admiro a simplicidade com a qual ele encara as pr\u00f3prias d\u00favidas com honestidade e sinceridade, buscando a verdade sem medo do que possa achar pela frente. Essa forma direta e sincera de enfrentar as quest\u00f5es mais cabeludas da filosofia e da teologia de sua \u00e9poca e de todos os tempos com a singeleza de uma crian\u00e7a, mas a profundidade e maturidade de um adulto que me fascina tanto nele. E isso, regado a muito humor. Procuro imit\u00e1-lo nisso nos meus pr\u00f3prios escritos e palestras, mas pergunta se eu consigo (<em>risos<\/em>).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Terra N\u00e9rdica agrade muito, Gabi!<\/p>\n<p>E voc\u00eas, o que acharam dessa entrevista?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>C. 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