Na madrugada desta semana, o Japão sediou o Genki Dama Tsuri, ou como gosto de chamar, Festival Explosivo Espiritual, evento oficial de comemoração dos 40 anos de Dragon Ball. A expectativa era altíssima — e não sem motivo. A Toei já havia prometido três grandes anúncios, e para uma das franquias mais importantes da história dos animes, qualquer promessa desse tipo vira evento global.
O festival foi dividido em três grandes blocos, começando de forma bastante simbólica. A primeira a subir ao palco foi Masako Nozawa, lendária dubladora de Goku, Gohan e Goten. Em seguida, o público assistiu a um vídeo comemorativo que funcionou quase como uma linha do tempo emocional da franquia: do Dragon Ball clássico à saga Z, passando pelos filmes Batalha dos Deuses e Ressurreição de Freeza, a adaptação desses filmes em Dragon Ball Super, o arco do Torneio do Poder, os filmes Dragon Ball Super: Broly e Super Hero, além de Dragon Ball Daima, exibido no ano passado.
O vídeo ignorou completamente Dragon Ball GT — o que já não surpreende mais — e terminou com o anúncio que todo mundo esperava há anos: Dragon Ball Super: The Galactic Patrol, a adaptação animada do arco do Prisioneiro da Patrulha Galáctica, mais conhecido como Saga Moro.
Para muitos fãs do mangá, esse arco representa o melhor momento de Dragon Ball Super. É mais coeso, mais maduro e finalmente dá espaço para desenvolvimento narrativo além da simples escalada de poder. O problema é que o anime de Dragon Ball Super está parado desde 2018, enquanto o mangá seguiu avançando, deixando uma lacuna enorme entre os dois públicos.
A solução encontrada pela Toei, no entanto, levanta discussões importantes. O retorno do anime não será contínuo como antigamente, mas em formato de temporadas, algo que a empresa já vem testando com One Piece. A ideia, segundo o anúncio, é dividir o ano: metade focada em Dragon Ball, metade em One Piece. Uma mudança estrutural grande para uma franquia que sempre viveu de exibição semanal quase ininterrupta.
E aí vem a parte mais controversa: para chegar à saga do Moro, a Toei decidiu refazer Dragon Ball Super desde o começo. Foi anunciado um mini-arco chamado Dragon Ball Super: Beerus, uma nova adaptação do filme Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses, com cerca de seis episódios, já previstos para este ano. Depois disso, viriam novamente Golden Freeza, Torneio do Universo 6, Goku Black e Torneio do Poder — tudo refeito.
A justificativa é clara: muita gente abandonou Dragon Ball Super por causa da qualidade técnica extremamente inconsistente do início do anime, feito às pressas, com animação irregular e adaptações fracas. Refazer esses arcos seria uma forma de “limpar a imagem” da série antes de avançar. O lado negativo? No ritmo anunciado, a saga do Moro pode acabar ficando para 2028 ou 2029.
Na segunda parte do evento, o foco foi nos jogos. O anúncio mais curioso foi de um título provisoriamente chamado de Age 1000. Ainda há pouquíssimas informações, mas o nome sugere uma ambientação no futuro do universo Dragon Ball. Foi apresentado um personagem inédito, criado pelo próprio Akira Toriyama antes de sua morte — o que já dá ao projeto um peso simbólico enorme.
Visualmente, o personagem parece uma mistura de elementos já conhecidos: cabelo branco que remete a Trunks, roupas com estética da Corporação Cápsula e indícios de que seja um Saiyajin jogável. As especulações apontam para algo semelhante ao antigo Dragon Ball Online, onde o jogador cria seu próprio personagem, mas com uma pegada moderna que lembra um hero shooter — jogos em que você escolhe heróis com habilidades específicas em vez de armas.
Além disso, foram anunciadas DLCs para todos os jogos ainda ativos da franquia, incluindo Sparking! Zero, Xenoverse 2 e Dragon Ball Z: Kakarot, reforçando que a estratégia atual é manter o ecossistema Dragon Ball sempre em movimento, mesmo fora do anime.
No fim das contas, o Genki Dama Tsuri cumpriu o que prometeu: celebrou o passado, confirmou o futuro e reacendeu discussões importantes sobre o presente da franquia. Dragon Ball continua sendo um fenômeno vivo, mas agora enfrenta um dilema que antes não existia: como honrar 40 anos de legado sem ficar preso a eles.
O retorno do anime é real. A saga do Moro vem aí. Mas o caminho até ela parece tão longo quanto uma Genkidama sendo carregada — e resta saber se, quando finalmente for lançada, a energia dos fãs ainda estará no auge.


